Tudo Outra Vez

Queria deixar essa singela menção ao um dos grandes poetas cearenses. Suas composições são de alto valor e merecem ser eternizadas. Belchior é uma das minhas maiores inspirações e sinto agora uma dor estranha de perda.

“E vou viver as coisas novas
Que também são boas
O amor, humor das praças
Cheias de pessoas
Agora eu quero tudo
Tudo outra vez…”

Sentimentos tão precisos

“Mas nunca fui bom observador de detalhes. Não era pra menos que continuava sendo o aluno mais fraco da turma de astronomia. O que eu lembrava mais dessa época eram os sentimentos que eu temia, coisas que tinham nome. Ciúme, inveja, paixão, teimosia, receio. As coisas que eu sinto hoje estão além das palavras. E tenho saudade daqueles sentimentos tão precisos que eu podia transformá-los em deuses, em pequenos ídolos, com seu templo, sua liturgia, seus momentos sagrados.

Isso passa, felizmente. E a gente sempre volta à perplexidade inicial, donde nunca deveríamos ter saído, eu acho, melhor, tenho certeza.”

Trecho do livro Agora é que são elas de Paulo Leminski. 

Confessione

Devo dirti, mio grande amore:
i miei occhi vedono altri orizzonti ormai,
luoghi di dove io possa vedermi con un altro aspetto,
con altro aspetto meno amaro.

Da che parte andare?
Vago per lunghe notti da solo.
Accompagnato dai dolori di essere me.
Il volo per qualche posto ormai partirà,
non so per dove partirà.
Decolla già con me, che non decollo assieme.

È che la terra maltrattata mi possiede. (mais…)

Centésima primeira publicação desse miserável blogue amador, de um amador que de poesia só as que estão na estante do seu não-quarto

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First Idea For The Spirit Of Boredom, Above Piraeus (1968), Yiannis Tsaroychis.

Não sei se comemoro. As últimas horas não foram as melhores. Não, não aconteceu nada. E é por não ter acontecido mesmo nada que me pergunto se o vale. Contudo foram 100 publicações. Não todas autorais, eu sei. Mas todas foram feitas, não por sede de alimentar esse espaço, não por ânsia de atingir 439 curtidas numa só poesia, ou 3267 acessos num mês (esses números foram bem aleatórios), mas pelo que estava sentindo no momento em que foram escritas ou publicadas.

Não posso negar que foi e é uma experiência extraordinária. Sempre achamos que a cada texto estamos melhores, que amadurecemos como escritores. Na verdade continua tudo mesmo a mesma merda hahaha. Brincadeira. Gosto de algumas coisas que estão entre as referidas 100 (e estou gostando dessa centésima primeira publicação desse miserável blogue amador, de um amador que de poesia só as que estão na estante do seu não-quarto), gosto tanto que acredito tê-las copiado de algum livro que encontrei dentre os livros velhos e maltratados da biblioteca da universidade. Quero dizer também que nunca relutei em publicar merdas como essa aqui. Faz parte da tal experimentação à qual me proponho (pra quem algum dia leu a aba “Sobre” desse blogue, aquela tentativa boba de parecer poético hahaha).

Não posso deixar de falar que durante toda essa loucura (passageira ou não) as sensações e inspirações foram muitas.

(mais…)

versos de embriaguez (releve, por favor)

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Femme ivre se fatigue (1902), Pablo Picasso.

releve a embriaguez.
se pá eu apague esses versos num momento de sobriedade.
só queria dizer que:

esse negócio de fazer poesia me esgotou
escrevi tanto que não me vem sequer um verso. que merda!
aceito um visto no meu passaporte para esse mundo que vocês chamam de literatura.

não, não o quero mais. é só um pedaço de papel sem qualquer valor. (mais…)