Veredas vermelhas

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Via Mascarella – Bologna (5 de fevereiro de 2016). Lucas Lopes

Hoje caminhava pelas ruas do centro
e as observava com um olhar mais acurado.
Seguramente já tinha notado seus aspectos físicos.

São tão tortuosas e monocromáticas.
São vermelhas e tortas.
São tortas e te levam a tantos cantos.
São tantas curvas e grandes portas.

São curvas e vivas e mortas.
Cai noite, cai dia.
Vem o Sol, vem a Lua.
Passam ventos e chuvas.
Neves e orvalhos.
Frio e calor.

Estão sempre lá, vermelhas e tortas.
Há quantos anos?
Há quanto tempo são assim?

Velhas vias vermelhas.
Quantas almas já vaguearam por aqui?
Perdidas ou lúcidas,
tristes ou felizes,
de luto ou em festa?

Quantos caminhos foram ofertados
a estas almas?
A quantas foi uma surpresa?
A quantas estes caminhos eram novos?
A quantas almas estes caminhos proporcionaram tristeza?
Quantas almas puderam se encontrar?

Quantas vidas passaram por aqui?
E quantas aqui findaram?
Quantos sonhos e ideias foram criados?
E quantos deles morreram?

Quantas portas foram abertas?
E quantas foram fechadas?
E os corações?

Quantas histórias foram escritas?
Quantas foram apagadas?
Quantos sorrisos e lágrimas?
Quanta ternura e quanta solidão?
Abraços e apertos de mãos?
Reencontros e despedidas?

Hoje caminhava pelas ruas do centro
e as observava com um olhar mais acurado.
Velhas vias vermelhas.
Tortuosas veredas.
Singulares
Velhas
Eternas
Vermelhas
Vias bolonhesas.


Lucas Lopes. 21 de janeiro de 2016.

Traduzione in italiano

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