Carta

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Thomas Killigrew and (possibly) Lord William Crofts (1638), Anthony van Dyck.

“Caro amico, ti scrivo
Così mi distraggo un po’.
Siccome sei molto lontano,
più forte ti scriverò.”*

Há um pouco mais de um mês, parti
Voltei para casa, um lugar que então se tornou estranho para mim
E te deixei numa cidade pequena da Itália, que se tornou casa para nós
E aquele dia da partida, meu amigo, foi duro, muito duro.

Mas dei sorte
Ainda tenho cada lembrança
E cada lembrança passa em minha cabeça como um filme.

Dei sorte
Sei que encontrei em ti um amigo e o encontraste também em mim
E eu tenho tanta certeza disso.

Dei sorte
Vivi, sem dúvidas, dias extraordinários e conheci os meus limites
E, em muitas vezes em que isso aconteceu, estiveste comigo.

Dei sorte, porque encontrei longe do ninho um irmão de outra nação
Encontrei uma pessoa que agora carrego no peito,
porque agora não posso carregá-lo comigo.

Mas carrego-o no peito com felicidade.

Meu caro, às vezes choro porque a saudade aperta
Mas são lágrimas que se vertem em meio a um sorriso.

Nem tudo são lágrimas, não te preocupes.
Também me pego sorrindo em momentos inesperados e até inapropriados.

Sinto-me bobo até.
Sempre que me lembro de cada momento, uma felicidade invade meu peito.
É imensurável. É forte.

É mais forte que a tristeza da partida.
Mas a partida, meu amigo, foi dura.
Foi duro dizer-te addio. Foi difícil olhar-te naqueles últimos minutos e acreditar que depois não te veria tão rápido.

Horas de uma dor delicada em um voo que parecia não ter fim.

Ainda guardo todos o sinais. Todos os gestos e palavras.
Ainda guardo os sorrisos, todas as conversas e gargalhadas.
Ainda levo comigo a tua companhia, em pensamento.

Eu sou muito feliz, porque te conheci.

E quero que saibas, meu caro
Estarei aqui de braços abertos a te esperar
E no dia em que chegares, não haverá felicidade maior em minha vida.

São tantos o versos que poderiam ser escritos
Todas eles estão em nossas memórias
Assim prefiro, que permaneçam em nossas memórias.

A ti, meu amigo, um abraço.


Lucas Lopes. 17 de setembro de 2016. 

Traduzione in italiano

*Referência a Lucio Dalla

 

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