Falo de como as relações se iniciam

Falo hoje das relações. De como elas começam. Da forma curiosa em como quando conhecemos uma pessoa, alguém até então completamente desconhecido. Imagino que isso aconteça com todo mundo ao menos uma vez na vida. Esse desconhecido, ou essa desconhecida, surge da forma mais inesperada e de algum modo, para mim inexplicável, inicia um diálogo conosco. Na verdade não interessa quem inicia a conversa porque sequer damos atenção a isso, porque a conversa flui de maneira tão espontânea e rápida, e, quando nos damos conta, já se passaram uma, duas, quatro horas de conversas dos mais variados assuntos.

Falamos de aspectos da vida, faculdade, trabalho, o resumo do dia. Policiamo-nos um pouco, ou não, para não falarmos demais da vida pessoal, de início. Contamos histórias que nos aconteceram, ou que presenciamos. Lembramo-nos de situações engraçadas e até constrangedoras. Apontamos as coincidências. Comentamos. Rimo-nos. E começam-se as brincadeiras, de leve. E rimo-nos. E nos lembramos de não falarmos demais de nós mesmos. Os assuntos são tantos e fluem tão rápido, que de improviso um assunto mais sério é invocado. E depois, os mais delicados e pessoais. Basta que um se abra um pouco mais, que de maneira estranha, algum tipo de confiança é gerado. Depois vêm os conselhos, os compadecimentos.

É curioso o modo em que falamos de nós mesmos para pessoas que não conhecemos bem. Certamente é necessário encontrar a tal da confiança, mínima que seja. É necessário chegar em uma conexão com o outro, que simplesmente acontece. E daí sentimos que podemos falar de tudo, sentimo-nos um pouco livres. É como se os dois seres fossem destinados a serem amigos, ou como se já fossem amigos, porém faltava somente o primeiro contato, e, de repente, encontram-se e tudo flui ao natural. Gosto disso. Acontece de abrirmo-nos mais com esses “desconhecidos” que com pessoas que até chamamos de amigos. Talvez porque encontramos nessas pessoas disposição para ouvir. Talvez falamos tanto porque, enfim, encontramos alguém para nos ouvir.

Falo de como as relações se iniciam. O que vem depois não me interessa agora. Nem como terminam. Bom, tudo isso depende de vários outros fatores e daí os relacionamentos se desenvolvem. É claro que não necessariamente esses relacionamentos precisam terminar. Hoje não quero falar disso. Outro dia, quem sabe. Muitos de nós já passamos por isso: o fim de um relacionamento, mais simples que tenha sido. Falo aqui de qualquer tipo de relação, deixo claro.

Gosto de quando isso acontece. Recentemente me aconteceu. Gosto porque me interessa conhecer as pessoas. Interessa a mim conhecer bem quem quer, de algum modo, aproximar-se de mim. Gosto pelo simples fato de saber como são as pessoas, como pensam, como vivem. Gosto de saber das suas realidades. Talvez todos precisemos desse tipo de contato. Assim descobrimos que não estamos sozinhos, que todos temos problemas, simples ou complexos, mas todos temos problemas. E nesse mundo em que os relacionamentos têm estado cada vez mais vazios, tenho valorizado muito mais esse tipo de contato. E pensar que um dia quis me isolar e evitar as pessoas. Enfim, que venham outros.

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