ainda quanto? (ou poema infinito)

danaidblog
Danaïd (1889), Auguste Rodin.

quantos Leminskis
terei de ler
quantos Drummonds
terei de compreender
quanta vida
terei de ousar
quantos Quintanas
terei de sentir
quantos Pessoas
terei de viver
quantos van Gogh e Monet
terei eu de contemplar
quantos quadros
quantos contos
quantas contas
quantas crônicas
quantas memórias, daquelas de amar o perdido
quantas dessas ficarão
quanta poesia
terei de ler
       escrever
       transparecer
       transbordar
quanto café
terei de beber
quanta cerveja
quanto chá
quanta cachaça, caipirinha
quanta ressaca
quantas pessoas
terei de conhecer
       entender
       interagir
       amar
       odiar
       engolir
       adorar
       aturar
quanto vento
quanto frio
quanto calor
quantas primaveras e outonos
quantos sorrisos
terei de dar
quantas gargalhadas
irei provocar
quantas amizades e amores
quantas amizades coloridas
quanto sexo
quantos risos
quantos olhares
quantos olhares trocados
quantos beijos
quantos abraços e apertos de mãos
quantos abraços daqueles apertados
quantos encontros e desencontros
quantas reuniões
daquelas chatas demais
quanto dinheiro terei
quanto dinheiro não poderei ter
quanto afeto
quanta rejeição
quanta alegria
quantas canções e melodias
terei de interpretar
quantos Caetanos e Jobim’s
quantos Belchiors
quantos Longs e Cíceros
quantas Céus e Linikers
quantas Bethânias
terei de sentir, para mostrar que sou intenso
quantos filmes e Aquarius
terei de assistir
quantas Claras
poderei conhecer
a quantas festas
ainda poderei ir
o quanto dançarei
quanta tristeza
quantas lágrimas
terei de chorar
quanta felicidade
poderei ter
quantas paixões e desilusões
quantas esperas e expectativas
quantas indas e vindas
       chegadas e partidas
       embarques e desembarques
quantos encontros e despedidas
quantas línguas
hei de aprender
quantas viagens
puderei fazer
quantos passeios
quantos parques
quantas praças
quantas praias
quantos banhos de mar
quantas serras e colinas
quantos caminhos
terei de percorrer
quantos passos
quanta pressa
quantas estradas
quantas ruas
quantas linhas
quantas rimas
quantos versos
ainda cabem nessa poesia?
quantas questões mais terei
até que eu aprenda o verdadeiro sentido da vida?


Lucas Lopes. 11 de janeiro de 2017.

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4 comentários sobre “ainda quanto? (ou poema infinito)

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