Poema vagabundo

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Old Tramp (1880), Laszlo Mednyanszky.

poema vagabundo

meu poema grita
um grito surdo
um grito olvido

poema vagabundo

poema que rasteja
no chão da praça
da praça suja
no chão sujo da praça suja
rasteja invisível

poema vagabundo

meu poema é dolorido
é contorcido
e agonizado
é resfriado

é poema maltratado, maltrapilho
é poema bandido também
apanha na praça do Centro
apanha na porta da loja do patrão

êta poemazinho ladrão
rouba a cena, a atenção
mas só por um minuto

meu poema não tem rosto
e não tem cara de mocinho
não será bem-sucedido

meu poema é podre
fede um cheiro inodoro
– ou usam máscaras e ainda não percebi

meu poema é louco – e viva aos loucos! –
ele fala sozinho, ele anda sozinho, ele canta sozinho, ele sonha sozinho, ele dorme sozinho, ele voa sozinho…

meu poema vaga – vagabundo – perdido e solitário
e não sabe que fim irá tomar
tomara que saiba mesmo voar.


Lucas Lopes. 29 de abril de 2017.

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5 comentários sobre “Poema vagabundo

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