071

Das coisas comuns que me acontecem, entre as mais especiais, estão as lembranças que tenho quando estou olhando pela janela do ônibus. O esboço de um sorriso é instantâneo. Às vezes a saudade chega como a brisa e me faz cócegas. Outras vezes, como quando fiz uma longa viagem entre a Universidade e a Praia de Iracema, no 071, em que todo o caminho me trouxe lembranças. Lembranças de coisas simples e pequenas, de dois anos atrás, de quinze anos atrás. Isso me traz felicidade. E tem muito a ver com memória e identidade da cidade. Nós nos damos conta do quão importante é termos nossa cidade conservada, porque simplesmente é nossa casa, simplesmente é nossa história marcada nos muros, nas praças, na arquitetura, nas árvores jovens ou centenárias, nas cores das paredes e do povo, na pele da nossa gente. E eu me apego a isso, que me traz um sentimento de amor por Fortaleza que é grande. E eu me apego a isso, de modo que me torno dependente do movimento da cidade. Eu me apego assim, de modo que meu corpo agoniza a cada árvore arrancada das grandes avenidas, por onde agora passam carros e mais carros; de modo que meu corpo agoniza a cada belo prédio velho derrubado, donde brotam edifícios enormes e feios (sempre com a mentirosa promessa de beleza vendida). A Fortaleza castigada e eu castigado junto. A Fortaleza pelo pôr do sol abençoada e eu abençoado junto.

Fazia tempo que eu buscava essa tal de identidade.


Lucas Lopes. 23 de junho de 2017.

Traduzione in italiano.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s