Das crenças

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Elie, du haut du mont Carmel, annonce la pluie prochaine avant qu’un seul nuage paraisse dans le ciel [I, Rois, XVIII, 41-46] (1956), Marc Chagall.

Não sou crente. Há alguns anos me distanciei de qualquer crença e definição. Estava no 038, na última semana, sentado ao fundo. Ouvia uma voz em melodia. Não conseguia entender o que cantarolava. Só conseguia perceber a mudança de ritmos. E então notei que havia uma mudança rápida de música. Aproximou-se da hora de deixar o coletivo, no Benfica. Dirigi-me para a saída. Pude ver o cantor, sentado no banco logo atrás da porta de desembarque. Um senhor, com sinais de abandono, roupas sujas e velhas. Os pés feridos. Aparentemente com alguma deficiência mental. Sozinho. Contudo crente.

Cantava suas músicas cristãs. Eu via aquilo como um grito de esperança, esperança de mudança de vida, de mudança; até a mais simples que seja, como alguém que compreendesse a sua dor. Restei a contemplá-lo. E a sua cantoria. Até que o ônibus parou e tive que descer e seguir meu caminho.


Lucas Lopes. 22 de julho de 2017.

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